Gota de esperança - Ourofino Agrociência

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Gota de esperança


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Japungu Agroindustrial prova que, com planejamento, é possível produzir em meio à seca nordestina

A cada safra os produtores canavieiros nordestinos são desafiados. É para o céu que eles olham a cada amanhecer, afinal, não se planta e nem se colhe apenas com o que a terra lhes oferece. É preciso fé e esperança para que a chuva caia sobre suas lavouras.

Em 2016, a esperança praticamente se esvaiu. Na Paraíba, terceiro maior produtor de cana no Nordeste, ficando atrás apenas de Pernambuco e de Alagoas, a falta de chuvas e o esvaziamento de 78 reservatórios fizeram com que o estado chegasse ao primeiro lugar no ranking com o maior número de municípios que decretaram calamidade pública.
Para se ter uma ideia do problema, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), desde a safra de 2007, a queda na produção canavieira do Nordeste foi de 72,94 milhões de toneladas para 46,99 milhões em 2016, muito em função dos problemas climáticos.

Este cenário, aliado ao recente histórico econômico do setor sucroenergético, dificulta o trabalho de toda a cadeia produtiva, como relata José Bolivar de Melo Neto, diretor da Usina Japungu. “As usinas estão muito endividadas, apesar de vermos o setor se organizando e iniciando uma recuperação. O problema é que investir diante deste cenário se torna ainda mais complicado”.

Bolivar conta que, historicamente, o mês de julho é fundamental no quesito chuva na região. Contudo, em 2016, as precipitações ficaram abaixo da média. De acordo com a Gerência de Monitoramento e Hidrometria (Gemoh) da Agência Executiva de Gestão das Águas no Estado da Paraíba (Aesa), na capital João Pessoa, por exemplo, a média histórica de chuvas para o mês de julho é de 236,6 milímetros. Entretanto, a cidade recebeu cerca de 50 milímetros de chuvas. “Em nossas áreas, contabilizamos aproximadamente 15 milímetros, em dias alternados, mudando todo o planejamento da safra”, explica.

Irrigação é o caminho

Para vencer as variações climáticas, a Usina Japungu investiu no trabalho de irrigação. Localizada em Santa Rita (PB), a unidade nordestina pertence ao grupo sucroenergético Japungu, que conta ainda com outras quatro unidades, nos estados da Paraíba e Goiás.

No local, a estrutura é capaz de irrigar 400 hectares diariamente, fora as áreas de gotejamento, que chegam a 1,9 mil hectares (parte ainda a ser instalada). Com gotejamento, inclusive, a usina consegue produtividade em torno de 120 a 130 toneladas por hectare, mais que o dobro da média do Norte/Nordeste. “Agora estamos investindo em um poço artesiano. Não tem jeito, é preciso ir atrás da água. Sem ela, nem o melhor sistema de irrigação funciona”, diz José Bolivar de Melo Neto.

Na safra 2015/16, a produtividade agrícola da unidade fechou em torno de 52 toneladas por hectare, ante 58 toneladas por hectare no ciclo anterior. A moagem atual da empresa, que começou em agosto de 2016, não foi finalizada até o fechamento desta edição.

De geração para geração

A paixão pela cana-de-açúcar atravessa gerações. Assim é, ao menos, na tradicional família Cavalcanti de Morais, que produz cana desde a época dos engenhos. Até onde se tem conhecimento, desde 1958, através do produtor José Ivanildo Cavalcanti de Morais, a família já administrava usinas canavieiras, acumulando, safra a safra, a experiência necessária para o desenvolvimento do bom trabalho atual.

Com brilho nos olhos e orgulho na fala, a nova geração de gestores conta como se formou o Grupo Japungu, que hoje conta com cinco unidades espalhadas pelo Brasil.

Localizada em Santa Rita (PB), a Usina Japungu deu nome ao grupo e foi a primeira a ser adquirida, em 1989. Na época, os produtores Luismar Melo, Paulo Fernando Cavalcanti de Morais e José Ivanildo Cavalcanti de Morais formaram uma sociedade e resolveram investir na unidade. “A Japungu tem uma característica muito interessante: está em uma região plana e muito arenosa, o que faz com que a gente tenha um período de moagem prolongado”, conta Carlos Augusto Coutinho Barreto, diretor executivo do grupo.

Sete anos após o primeiro investimento, em 1996, o negócio expandiu e o grupo arrendou o parque industrial da antiga Usina Santana, dando origem a Agroval, unidade que até 2030 segue em posse do grupo.

O bom trabalho realizado até então permitiu que, em setembro de 2001, o grupo chegasse ao Centro-Sul com a aquisição da usina CRV, em Carmo do Rio Verde (GO). Tão logo o primeiro investimento na região foi consolidado, o grupo se movimentou e adquiriu outras unidades no estado de Goiás, separadas por aproximadamente 30 quilômetros, o que oferece maior sinergia aos negócios na região.

A mais recente aquisição é a Usina Uruaçu, localizada em cidade de mesmo nome, no meio norte do Goiás. “Contamos hoje com cinco unidades, sendo uma arrendada e quatro próprias. Estamos focando nossos maiores investimentos no Centro-Sul, em função das oportunidades de crescimento que a região oferece”, disse Barreto.

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